Tenho certa paixão por esse livro (O Tempo e o Vento). Talvez meu lado bairrista me leve a crer que é bom por que é daqui. Mas toda vez que leio ou relembro de algo, me transporto para um Rio Grande de tempos atrás (dos quais eu nem sequer era um cisco de vida). Adoro as obras de Érico Veríssimo e aprendi a gostar muito da forma como o filho dele, Luís Fernando Veríssimo escreve. Ali posso dizer que o talento vem de casa mesmo.
Lembro de ter lido as obras de Érico Veríssimo pela primeira vez na escola. Acho que eu era uma das únicas pessoas que realmente lia nas aulas de literatura. Eu adorava cada livro que era passado. Na época conseguir resumos na internet era muito mais dificil que nos dias de hoje. Então quem era a fonte dos resumos de livro era eu. Lia, anotava pontos importantes, relia, escrevia, só não rabiscava o livro por achar maldade macular paginas tão alvas (ainda eram na época rsrs).
Com certeza, entre os três livros que fazem parte de O tempo e o vento (O continente, o Retrato e o Arquipélago) a que mais gostei foi a primeira. Mais espessificamente a parte de Ana Terra. Ela me encantou nas primeiras linhas, a angústia dela era minha em cada pagina percorrida. Lembro da relação dela com o vento, sempre dizia que “noites de vento, noite dos mortos”, e de toda vez que ventava acontecia algo importante. Penso como deviam ser agitadas as coisas por lá, pois no campo, o Minuano bate bem mais seguido e bem mais forte… rsrs.
Até hoje quando me lembro do enredo, penso nela como a peça chave. Também gostava de Bibiana e de Rodrigo Cambará (Um certo capitão Rodrigo), e toda aquela relação de amor e ódio das familias. Aprendi mais sobre Maragatos (lenço vermelho) e Chimangos (lenço branco) pelo livro, do que pelas aulas de história que tive.
Gosto deste trecho: “Era assim que o tempo se arrastava, o sol nascia e se sumia, a lua passava por todas as fases, as estações iam e vinham, deixando sua marca nas árvores, na terra, nas coisas e nas pessoas.“
Tem dias que me sinto como Ana Terra, em que os dias se arrastam e só o vento pode trazer alguma coisa. Hoje tá assim, mas nenhuma folha se move lá fora.
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